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Silhuetas que já não procuram equilíbrio

  • 15 de jun.
  • 1 min de leitura



Das coleções Outono/Inverno 2026-27

 

Durante décadas, a moda construiu-se sobre proporções.

 

Nesta temporada, as proporções tornam-se apenas um ponto de partida.

 

As coleções de Outono/Inverno 2026-27 revelam uma transformação silenciosa na forma de pensar o corpo. Não através da ruptura explícita, mas por meio de deslocamentos subtis: ombros ampliados, cinturas indefinidas, volumes que surgem onde antes existia contenção.

 

A silhueta deixa de funcionar como um sistema de regras.

 

Passa a existir como expressão.

 

Nas passarelas internacionais, a alfaiataria abandona parte da sua rigidez sem perder presença. O volume afasta-se da ideia de excesso. O ajustado regressa sem nostalgia. Entre ambos, instala-se um novo equilíbrio, menos previsível e mais intuitivo.

 

Casacos de proporções amplificadas convivem com vestidos de construção delicada. Golas estruturadas enquadram o rosto. Comprimentos variam. As linhas deslocam-se. O olhar deixa de procurar simetria e passa a procurar caráter.

 

Existe uma recusa crescente em uniformizar o corpo.



 

As formas não procuram corrigir, alongar ou disciplinar. Procuram afirmar.

 

Talvez seja essa a mudança mais evidente da temporada: a passagem da silhueta como instrumento de conformidade para a silhueta como manifestação de identidade.

 

Num cenário dominado pela velocidade e pela repetição visual, a presença volta a assumir valor.

 

E poucas coisas permanecem tão elegantes quanto a capacidade de ocupá-la sem pedir autorização.

 
 
 

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